Ponta Negra (Natal-RN)

"Bem antes de ser ponto turístico da Cidade do Sol, Ponta Negra era um povoado de agricultores e pescadores, vivendo independente do centro da cidade e cercado de dunas cobertas pela vegetação nativa de tabuleiro costeiro e um extenso mar azul de águas mornas e calmas. Um verdadeiro paraíso!
A população era praticamente auto-suficiente no que diz respeito à alimentação, pois tudo era produzido dentro do território da comunidade. As tarefas diárias (o trabalho) eram assim divididas: os homens praticavam a pesca artesanal, a agricultura de subsistência plantando milho, feijão, mandioca entre outros e produziam carvão. As mulheres produziam renda de bilro e colhiam frutas da estação no Tabuleiro Costeiro para vender no centro da cidade e também cuidavam dos afazeres domésticos e dos filhos. Três casas de farinha concentravam a produção, reunindo famílias em cantigas, danças e cooperativismo.
O desenvolvimento urbano desse povoado teve início na década de 1940, mas sua primeira grande transformação social e econômica aconteceu após quase 20 anos de disputa pelas terras agricultáveis entre os nativos e Fernando Pedroza - corretor imobiliário com grande influência política no Estado e cuja família já criava algumas cabeças de gado nas terras de Ponta Negra.” (...)
Ponta Negra (foto Jaeci Emereciano)
“Com o advento da Segunda Guerra Mundial, em 1941, Natal passa a ser base aliada estratégica por ser a cidade da América mais próxima da África e da Europa. A cidade se transformou e a ocupação dos soldados norte-americanos trouxe conseqüências sociais, econômicas e culturais. Só para se ter uma idéia da situação, imagine Natal nos anos 1940, com cerca de 60 mil habitantes, recebendo mais de 20 mil soldados norte-americanos durante a Segunda Guerra?” (...)
“O acesso a comunidade por estradas, que antes da Guerra não existiam, também sofreu modificações. A estrada de Ponta Negra foi aberta, e como era de se esperar, a área ganhou valor de mercadoria, e várias famílias de Natal se apropriaram de grandes lotes de terra na beira da praia para construir suas casas de veraneio.” (...)
Ponta Negra (foto Jaeci Emereciano)
“Em 1957, Fernando Pedroza fez a medição das terras e deu ordem aos capangas para expulsar qualquer pessoa que entrasse no mato de Ponta Negra. Crianças, mulheres e os homens que trabalhavam na roça ou faziam carvão foram agredidos. Foi nesse ano, também, que ele doou a área da Vila (cerca de 65 há) à Arquidiocese de Natal. (...)
Ponta Negra (foto Jaeci Emereciano)
“Com o Golpe Militar de 1964, a Aeronáutica deu o “xeque-mate” da disputa. Fernando Pedroza recebeu uma convocação urgente do Ministro da Aeronáutica e foi informado que Ponta Negra tinha sido escolhida, por oferecer melhores condições, para receber a construção de um Centro de Lançamento de Foguetes financiado pela NASA e que deveria ceder parte de “suas” terras. Sem levar em consideração o histórico das terras a Aeronáutica, em 1965, construiu nessas terras a primeira base de lançamentos de foguetes do Brasil, conhecida como Barreira do Inferno. Os moradores não puderam mais resistir às forças armadas federais e abandonaram definitivamente os roçados.
Segundo Lois Garda*, Pedroza nunca conseguiu consolidar a posse dessas terras, mas o fato é que, depois desse episódio, os moradores da Vila nunca mais conseguiram restabelecer o equilíbrio econômico e social.”


* Lois Martin Garda, antropóloga que chegou para morar na Vila de Ponta Negra em 1978 com sua família e foi uma das primeiras estrangeiras a fixar em Ponta Negra.
Texto extraído do blog: http://vozesdavila.blogspot.com.br
organização/projeto: Joanisa Prates, Ana Ferreira e Yuno Silva.



Ponta Negra (foto Alex Fernandes)






Praia de Ponta Negra (Natal-RN)
Origem: Wikipédia.

A Praia de Ponta Negra é uma famosa praia localizada no bairro de mesmo nome em Natal, capital do estado brasileiro do Rio Grande do Norte.
A praia de Ponta Negra tem cerca de 4 km de extensão e pode ser considerada uma pequena baía. No extremo sul fica o Morro do Careca, o ponto turístico mais famoso de Natal. Caminhando em direção ao norte, percorrem-se primeiramente ao redor de 2 km da avenida Erivan França, os quais são repletos de bares, restaurantes, hotéis, boates, pequenas galerias de shopping, etc.
Ao final do trecho beira-mar da avenida Erivan França, ocorre uma bifurcação: a avenida sobe uma íngreme colina, em direção ao bairro de Ponta Negra, e o calçadão prossegue por mais 2 km.


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